InfoMoney – O dia que já indicava alta para o Ibovespa com a vitória do governo no Senado com a reforma trabalhista, se tornou um pregão de grande euforia após o juiz federal Sérgio Moro condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso envolvendo o triplex no Guarujá. O dólar, por sua vez, passou a cair mais de 1%, chegando na casa dos R$ 3,20.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 1,57%, aos 64.835 pontos, chegando a saltar quase 500 pontos em apenas cinco minutos no momento da notícia. Em seguida, o índice ainda manteve uma certa cautela em acentuar os ganhos, que ficaram em torno de 1% durante boa parte da tarde, para apenas na reta final ganhar força. O volume financeiro ficou em R$ 9,906 bilhões. Este é o maior fechamento do Ibovespa após a delação da JBS, em 17 de maio, quando o índice estava em 67.540.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 1,40%, cotado a R$ 3,2075 na venda, ao passo que o contrato futuro do dólar com vencimento em agosto teve perdas de 1,47%, para R$ 3,221. Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 caíram 6 pontos-base, a 8,72%, ao passo que os DIs para janeiro de 2021 recuaram 18 pontos-base, a 9,77%. Movimentam o mercado de renda fixa também os dados de vendas do varejo abaixo das expectativas do mercado em maio.

Segundo o Ministério Público Federal, que ofereceu denúncia em setembro do ano passado, teriam sido repassados ao petista R$ 3,7 milhões em propina por conta de três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras. O repasse teria ocorrido por meio do imóvel e do pagamento pelo armazenamento de bens recebidos por Lula entre 2011 e 2016 como presentes recebidos durante o mandato.

No que se refere ao armazenamento de bens, no entanto, o magistrado absolveu Lula por “falta de prova suficiente da materialidade”. Na sentença, Moro sustentou que a prisão imediata de um ex-presidente “não deixa de envolver certos traumas” e que a “prudência” recomenda que se aguarde o julgamento em segunda instância.

Outros destaques

Mais cedo, o destaque ficava para a vitória com folga da reforma trabalhista no Senado, fato que deverá ser usado pelo governo na defesa das condições de Michel Temer em se manter na presidência e sua capacidade de conduzir a agenda econômica. O placar de 50 votos favoráveis indica quórum constitucional, ou seja, garantiria a aprovação mesmo de propostas de emenda à Constituição, caso da reforma da Previdência.

Apesar disso, é importante a ponderação de que esta matéria é mais complexa e conta com maior resistência na sociedade assim como no próprio parlamento, e o projeto de flexibilização das leis trabalhistas já estava acordado com membros do Legislativo. Ainda assim, proposições polêmicas no texto foram negociadas com senadores e o peemedebista se comprometeu a editar medida provisória estabelecendo alterações pontuais.

Outra ressalva importante é que as vidas na Câmara e no Senado não necessariamente caminham juntas, o que faz com que a vitória em uma das casas, em muitos casos, não seja transferível à outra. “Temer ganhou fôlego. Gasta agora todas as suas forças em sobreviver na CCJ e no plenário [da Câmara dos Deputados]. O timing da votação na comissão (quanto mais rápido, melhor) e a esperada segunda denúncia de Rodrigo Janot são ingredientes importantes”, observou a equipe de análise política da XP Investimentos.

“Na apreciação da primeira denúncia, um placar modesto entre os 513 deputados não basta. Se não mostrar que tem uma base suficiente para continuar governando, esse respiro pode não ter adiantado de nada e seu fôlego pode acabar até a votação da esperada segunda denúncia da Procuradoria”, complementou o time especialistas da XP.

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis da Petrobras subiram pelo terceiro pregão seguido, acompanhando não só a notícia sobre Lula, mas também o desempenho dos preços do petróleo no mercado internacional. O movimento ocorre após dados do API (American Petroleum Institute) de ontem mostrarem que os estoques de petróleo dos Estados Unidos caíram em 8,1 milhões de barris na semana, superando as expectativas.

O noticiário da estatal é bastante movimentado. A estatal informou que seu Conselho de Administração aprovou o IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) da BR Distribuidora, que será conduzida por meio de oferta pública secundária de ações, de acordo com fato relevante. A unidade da estatal pretende ser listada no segmento Novo Mercado da B3, disse a empresa.

Além disso, o colegiado da CVM acatou recurso apresentado pela Petrobras e reverteu uma decisão da área técnica da autarquia que questionava a prática de contabilidade de hedge pela empresa. A determinação do colegiado da CVM desobriga a estatal de refazer e republicar as demonstrações financeiras de 2013, 2014, 2015 e 2016 por suposta utilização indevida da prática de contabilidade de hedge.

A CVM também manifestou entendimento favorável à companhia no processo que possui como objeto a apuração de eventual falha de divulgação de informação veiculada no prospecto de oferta pública de 2010 sobre a aquisição de direito de votos pelos preferencialistas, na hipótese do não pagamento de seus dividendos mínimos. O Colegiado da CVM acolheu de forma unânime os argumentos de defesa da Petrobras, reiterando o posicionamento da companhia no sentido de que interpretação da matéria veiculada no prospecto foi razoável, fundamentada e legítima.

A companhia ainda anunciou novo reajuste dos preços de combustíveis, o sétimo desde que passou a adotar a política de reajustes diários, no dia 30 de junho. A estatal anunciou o corte do preço da gasolina em 0,1% e elevação do preço do diesel em 1,1% a partir de 13 de julho. A empresa argumenta que, com a possibilidade de reajustar diariamente os preços, tem mais ferramentas para competir com as empresas importadoras, que estão ganhando espaço no mercado brasileiro.

Também merece destaque a notícia de que a superintendência-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou ao tribunal da autarquia a aprovação da aquisição das operações de varejo do Citibank pelo Itaú Unibanco mediante assinatura de um acordo em controle de concentrações. A recomendação consta em despacho publicado no Diário Oficial.

Os remédios desenhados abordam cinco aspectos: comunicação e transparência, treinamentos, indicadores de qualidade, compliance e restrição à aquisição de instituições financeiras e administradoras de consórcios. Segundo a superintendência-geral do Cade, o acordo em controle de concentrações “é suficiente para eliminar eventuais preocupações concorrenciais” que decorram da operação. Contudo, a celebração deste acordo não exime as partes de cumprir qualquer decisão do Cade no futuro.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
PETR4 PETROBRAS PN 12,94 +4,95 -12,98 841,81M
BBDC3 BRADESCO ON EJ 29,31 +4,38 +11,72 45,75M
BRML3 BR MALLS PARON 12,85 +4,05 +24,36 110,19M
PETR3 PETROBRAS ON 13,58 +3,90 -19,83 204,99M
GOAU4 GERDAU MET PN 5,47 +3,60 +13,96 72,65M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
EMBR3 EMBRAER ON 15,55 -2,32 -1,72 78,38M
FIBR3 FIBRIA ON 31,98 -2,05 +2,74 58,43M
KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,15 -1,70 -7,32 42,26M
SUZB5 SUZANO PAPELPNA 13,40 -0,74 -3,10 108,63M
TIMP3 TIM PART S/AON 10,07 -0,69 +29,37 48,77M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 PETROBRAS PN 12,94 +4,95 841,81M 492,85M 58.035
ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 37,40 +1,08 815,17M 339,42M 36.669
VALE5 VALE PNA 28,08 +0,21 495,32M 497,66M 27.459
BBDC4 BRADESCO PN EJ 29,41 +2,65 483,26M 274,24M 29.582
KROT3 KROTON ON 15,02 +0,94 353,61M 195,06M 28.439
BBAS3 BRASIL ON 28,84 +2,85 332,99M 195,69M 24.332
ITSA4 ITAUSA PN 9,20 +0,22 264,04M 110,28M 32.218
VALE3 VALE ON 29,90 -0,47 253,68M 146,09M 20.896
ABEV3 AMBEV S/A ON 18,65 +0,70 244,97M 247,29M 23.332
BVMF3 BMFBOVESPA ON 20,14 +2,23 238,96M 122,74M 20.026

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário político

A reforma trabalhista foi aprovada por 50 votos favoráveis a 26 contrários e 1 abstenção. Apesar do tumulto causado pela ocupação da mesa por senadoras da oposição, o placar superou as estimativas mais otimistas apontadas ontem por jornais e, segundo a Folha de S. Paulo, teria surpreendido o próprio presidente Michel Temer. Mas, se por um lado a aprovação mostra o peemedebista capaz de tocar mudanças econômicas, também sugere que reformas são agenda independente dele.

O Plenário também derrubou os três destaques apresentados pela oposição. Em declaração à imprensa logo após o término da sessão do Senado, Temer destacou o placar “por expressiva maioria” revelando “até uma maioria constitucional”. Contudo, vale destacar que, para acelerar a tramitação no Congresso, o presidente estabeleceu um compromisso com senadores para apresentar uma Medida Provisória para alterar certos pontos polêmicos da reforma.

Em contraponto, o presidente da Câmara Rodrigo Maia usou o Twitter para dizer que a Casa não aceitará MP que altere a reforma trabalhista. Além disso, mesmo com a vitória do governo, o cenário para Temer segue nebuloso. Vale destacar que o PSDB já sinalizava desembarque da base após a aprovação da reforma trabalhista.

Além das repercussões sobre a aprovação da reforma, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado faz hoje a sabatina da procuradora Raquel Dodge, indicada para o cargo de procuradora-geral da República por Temer. Caso seja aprovada, ela substituirá o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, cujo mandato no comando do órgão termina em setembro. Logo depois, os membros da CCJ vão decidir, em votação secreta, se aceitam ou não a indicação. Caso aceitem, o nome de Raquel Dodge passará por uma segunda e última votação, desta vez no plenário do Senado.

Por fim, após a leitura na segunda-feira do parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) a favor da denúncia contra Michel Temer, os membros da CCJ da Câmara devem começar a fase de debates em torno do parecer. A expectativa é que a discussão dure mais de 40 horas, já que a presidência da comissão permitiu que todos os 66 membros e seus respectivos suplentes tenham direito à fala por até 15 minutos.

Vale destacar que a Executiva Nacional do PMDB se reúne para decidir se fecha questão em torno da votação da denúncia. Segundo o vice-líder do governo na Casa, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), a tendência é que o partido decida por fechar questão pelo voto contrário ao prosseguimento da denúncia contra Temer. Segundo a Folha, além do PMDB, também PP, PR e PSD reúnem-se para fechar questão contra a denúncia.

Maia defendeu ontem que a denúncia seja analisada pelo plenário da Câmara o mais rápido possível, de preferência antes de agosto, e afirmou que a Casa precisa retomar a agenda de reformas.

Vendas do varejo

O comércio varejista nacional registrou variação de -0,1% no volume de vendas de maio na comparação mensal, na série ajustada sazonalmente, conforme mostrou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. Para essa mesma comparação, a receita nominal mostrou variação de 0,2%. Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral voltou a sinalizar estabilidade tanto para volume de vendas (-0,1%), quanto para receita nominal (0,0%). O resultado veio abaixo da mediana das expectativas dos economistas ouvidos pela Bloomberg, que esperavam alta de 0,3% no indicador.

No confronto com igual mês do ano anterior, na série sem ajuste sazonal, o volume de vendas apontou crescimento de 2,4%, segunda taxa positiva consecutiva no ano. Com isso, o índice de volume do varejo acumulou recuo de 0,8% nos cinco primeiros meses do ano. O indicador acumulado nos últimos doze meses, com queda de 3,6% em maio de 2017, permaneceu sinalizando redução no ritmo de queda iniciado em outubro de 2016 (-6,8%). Para as mesmas comparações, a receita nominal de vendas apresentou variação de 3,1%, 1,8% e de 3,5%, respectivamente.

Sinalizações de Yellen

O sentimento positivo nas bolsas mundiais, que vinha ocorrendo mesmo antes da fala da chairwoman do Federal Reserve, Janet Yellen, no Congresso americano, foi reforçado após a divulgação do texto do seu depoimento manter a sinalização de gradualismo em relação à alta de juros.

Petróleo

Os estoques da commodity caíram em 7,6 milhões de barris na última semana, informou a EIA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês). A mediada das estimativas da Bloomberg indicava recuo de 2,26 milhões de barris. Na semana passada o indicador apontou para 6,3 milhões de barris de redução. Do lado dos destilados, houve crescimento de 3,13 milhões de barris, ao passo que os estoques de gasolina caíram 1,65 milhão de barris.

Mais cedo, foi divulgado que os membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aumentaram a produção em junho, mesmo com a extensão de um acordo de redução na oferta, que está em vigor até março de 2018. Em seu relatório mensal, o grupo afirmou que a produção avançou 393,5 mil barris por dia (bpd), para uma média de 32,611 milhões de bpd.

A alta ocorreu devido a uma forte expansão da produção na Arábia Saudita, que avançou 51,3 mil bpd em junho, para 9,950 milhões de bpd. Líbia e Nigéria, que estão sendo pressionados para começarem a cortar sua produção, também registraram aumento na oferta. A produção da Líbia subiu 127 mil bpd, enquanto a da Nigéria avançou 96,7 mil bpd em junho. O Iraque também registrou aumento em sua produção, somando 60,6 mil bpd, a 4,502 milhões de bpd em junho.

A organização manteve a previsão para alta da demanda mundial de petróleo em 2017 em 1,27 milhão de bpd. Já a demanda média pela produção do cartel neste ano está em 32,2 milhões de bpd. Os dados também passaram a incluir a Guiné Equatorial, que passou a fazer parte do cartel.

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